2021 a 2025
2021-2025
Ações afirmativas e diversidade promovem reconhecimento e transformam realidades na UFSC
O período entre 2021 e 2025 foi o momento de colocar em prática ações afirmativas, dar continuidade à política de permanência estudantil e promover ainda mais a igualdade no ambiente universitário. A ampliação dos programas de assistência estudantil e das ações afirmativas transforma vidas. As ações em favor da equidade reconhecem a trajetória feminina, e a UFSC segue inovando na pesquisa, no ensino e na extensão, sem medo de rever sua própria história.
Em 2021, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) instituiu o Programa de Assistência Estudantil para Indígenas e Quilombolas (PAIQ), para atender estudantes com autodeclaração étnico-racial validada pela Universidade e renda familiar bruta mensal de até 1,5 salário mínimo per capita. Esse público, até então, não era contemplado por ações assistenciais específicas. O programa prevê o pagamento de uma bolsa assistencial, denominada Bolsa PAIQ, com recursos do Programa Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes) e do orçamento da UFSC.
Além da bolsa, a inclusão dos estudantes no Cadastro Prae proporciona acesso aos demais programas de assistência estudantil da Pró-Reitoria, tais como isenção das refeições do Restaurante Universitário, auxílio moradia, auxílio creche, isenção para cursos de línguas estrangeiras e no Programa Emergencial de Apoio ao Estudante. Esses benefícios e auxílios podem ser recebidos conjuntamente com as demais bolsas de cunho acadêmico (monitoria, pesquisa, extensão).
A pauta da igualdade de gêneros também foi destaque em 2021, com a instituição, pela Pró-Reitoria de Pesquisa, do Prêmio Mulheres na Ciência. A partir de 2021, o Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência também passou a fazer parte da agenda oficial da UFSC.
O Prêmio Propesq – Mulheres na Ciência busca inspirar a comunidade científica interna e externa nas diferentes áreas do conhecimento e contribuir para diminuir a assimetria de gênero na ciência. A premiação, que inicialmente contemplava mulheres cientistas nas categorias Júnior, Plena e Sênior, em sua 5ª edição subdividiu as categorias em Docente e Servidora Técnico-Administrativa em Educação (TAE), ampliando no número de homenageadas.

Walderes Coctá Priprá defendeu sua dissertação em junho de 2021
No ano em que o Conselho Universitário reconheceu as línguas indígenas brasileiras para acesso à Pós-Graduação, o Departamento de História da UFSC teve sua primeira defesa de mestrado de aluna indígena depois da implantação da política de ações afirmativas na Universidade. A estudante Laklãnõ Xokleng Walderes Coctá Priprá é a primeira indígena a defender um título no âmbito da pós-graduação em Arqueologia no Brasil. A pesquisa de Walderes, intitulada Lugares de acampamento e memória do povo Laklãnõ Xokleng, Santa Catarina, foi reconhecida com o Prêmio de Excelência em Mestrado 2021, concedido pela Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB).

A fachada do teatro foi reinaugurada em 30 de junho de 2022 e reformada em 2024. Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC
Reconhecendo mulheres que fazem história, o Conselho Universitário homenageou a servidora, atriz e diretora teatral Carmen Fossari, dando seu nome ao Teatro da UFSC. Carmen era servidora da Universidade desde 1979 e faleceu em 2021. No processo elaborado para a concessão da homenagem, a Secretaria de Cultura e Arte da UFSC (Secarte) reuniu informações biográficas da servidora, os prêmios que ela recebeu em sua carreira como atriz e dramaturga, o currículo Lattes, publicações e registro fotográfico da trajetória artística de Carmen Fossari.
O relator do processo no CUn foi o professor Rogério Cid Bastos. O conselheiro lembrou que o Teatro faz parte de um conjunto de edificações construídas em um terreno que foi adquirido pela UFSC da Paróquia da Trindade no final dos anos 1970. Os prédios foram destinados para finalidades artísticas – a igreja, para o Coral da UFSC; a Casa do Divino, para cursos de artes plásticas; e o Salão Paroquial, para o Teatro da UFSC. O Teatro foi palco de muitas produções e também foi sede do Grupo Pesquisa Teatro Novo, fundado e dirigido por Carmen Fossari.
Atenta aos princípios de governança e transparência, a Universidade lançou sua plataforma de gestão, análise e visualização de dados institucionais: o Observatório UFSC. A plataforma estreou no dia 30 de novembro de 2021, com mais de 300 indicadores sobre 21 áreas de atuação da universidade. Atualmente, o Observatório UFSC está incluído no repositório de boas práticas do Portal Transformagov, onde será capaz de servir como modelo para outras instituições e também aprimorar sua própria performance.
De olho nas mudanças do mercado e demandas dos alunos da graduação, a UFSC inovou também no Departamento de Química, reestruturando a licenciatura e o bacharelado na área. Foi criado o bacharelado em Química Tecnológica, com 40 vagas anuais e ingresso específico pelo vestibular a partir do primeiro semestre de 2021.
2022
Criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe)
Mantendo o compromisso com a igualdade de oportunidades, a UFSC transformou sua Secretaria de Ações Afirmativas e Diversidades (SAAD) na Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe). A partir de então, a Proafe tem sido responsável pelo desenvolvimento de políticas e ações institucionais, pedagógicas e acadêmicas de promoção das ações afirmativas na Universidade.
Equidade em todos os níveis de ensino

Alunos do Colégio de Aplicação
Em 2022 a UFSC aprovou Políticas de Ações Afirmativas também para o Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) e Colégio de Aplicação. Na Universidade, passaram a existir ações de equidade em todos os níveis de ensino. A política prevê a reserva de 20% das vagas de ampla concorrência oferecidas na Educação Básica da UFSC para negros, indígenas e quilombolas, independentemente do percurso escolar ou da renda.
Além das cotas, a Política de Ações Afirmativas prevê também a adoção de medidas visando a permanência estudantil. A reserva de vagas para crianças com deficiência, que já era garantida nos editais de ingresso do CA e do NDI, permanece inalterada. A reserva de vagas passou a constar dos editais de sorteio das duas escolas. No Colégio de Aplicação, a maior parte do ingresso ocorre no primeiro ano do ensino fundamental e no Núcleo de Desenvolvimento Infantil o ingresso se dá principalmente no primeiro ano da educação infantil.
Esporte e saúde na ordem do dia

Atividade física oferecida a idosos pelo Centro de Desportos da UFSC.
O ano de 2022 foi também o momento de regulamentar a primeira política de esportes da UFSC. Além de fomentar e democratizar o acesso ao esporte na Universidade, a política de esportes tem como objetivo incentivar o desenvolvimento de atletas e paratletas universitários e apoiar ações interdisciplinares, projetos de extensão e outras atividades que desenvolvam a prática na comunidade universitária. A norma também criou o Comitê do Esporte Universitário (Coesp) e o Fundo de Apoio ao Esporte Universitário (Fundoesporte). Uma das principais mudanças no cenário político-esportivo da Universidade, o Comitê terá entre suas atribuições avaliar a Política de Esportes da UFSC, aprovar Plano Anual de Esportes, aprovar o relatório anual da Secretaria de Esportes (SESP) e alternativas de melhoria da prática esportiva, além de deliberar sobre assuntos extraordinários referentes à resolução.
No mesmo período a UFSC instituiu sua Política Intersetorial Permanente de Saúde Mental, Atenção Psicossocial e Promoção da Saúde para a comunidade universitária. A política, conduzida pelo Comitê Intersetorial Permanente de Saúde Mental, Atenção Psicossocial e Promoção de Saúde, compreende nove eixos temáticos: universidade promotora de saúde; prevenção de riscos e danos; atenção a crises e urgências; acolhimento, cuidado psicossocial, redução de danos, recovery e ações em rede; combate à violência institucional (trote, bullying, assédio moral, assédio sexual, racismo, desigualdades de gênero, LGBTQIA+fobia, iniquidades socioeducativas); prevenção de riscos e promoção da saúde a partir da integração acadêmica e do enfrentamento ao fracasso escolar na educação superior; comunicação, apoio de mídia e divulgação de ações e serviços; avaliação de ações, projetos e programas de saúde mental, atenção psicossocial e promoção de saúde para a comunidade universitária; sensibilização da comunidade da UFSC para a formação continuada no campo da atenção psicossocial.
A saúde é pauta também no ensino: foram dados os primeiros passos para a implantação do curso de medicina no Campus de Curitibanos.

Ato antirracista realizado na Reitoria, em 2022 Foto: Rafaella Whitaker
Um ato de injúria racial ocorrido nas dependências do Centro de Ciências da Educação (CED) mobilizou toda a comunidade acadêmica e jogou luz sobre a importância de uma política institucional de enfrentamento ao racismo. No dia 28 de setembro, uma aluna do curso de Pedagogia foi vítima de racismo por meio de frase escrita no banheiro feminino. As aulas no CED foram interrompidas, houve manifestações e protestos e foram tomadas medidas para apuração do ato racista, com registro de boletim de ocorrência.
O ato mobilizou a UFSC para criação de uma Resolução Normativa de enfrentamento ao racismo, aprovada em novembro de 2022. Em conformidade com a Resolução, a Universidade passou a desenvolver e ampliar, de forma progressiva, políticas, programas e ações de caráter pedagógico, preventivo e permanente à comunidade universitária visando o antirracismo, a equidade e o enfrentamento ao racismo institucional e epistêmico, por meio de todas as suas pró-reitorias, secretarias, câmaras de Graduação, de Pós-Graduação, de Pesquisa, de Extensão e demais órgãos deliberativos.
2023

O reitor Cancellier, no dia de sua posse, em maio de 2016. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC)
Seis anos após sua morte, o ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo começa a ter sua reputação reabilitada: apurações e procedimentos do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) sobre as denúncias da Operação Ouvidos Moucos não apontaram nenhum indício da participação do ex-reitor em irregularidades. Neste período, a Universidade aperfeiçoou procedimentos de transparência, resolveu todas as pendências administrativas e conseguiu retomar os cursos de Educação a Distância, área em que suspeitas de irregularidades motivaram a deflagração da Operação Ouvidos Moucos, em 2017.
O ex-reitor foi homenageado com a inauguração da avenida Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, via pública construída em terreno da UFSC doado à população de Florianópolis para duplicação da rua Deputado Antônio Edu Vieira, no Pantanal.
Com permissão judicial, em 2023 a UFSC Curitibanos inicia trabalhos no Centro de Desenvolvimento e Inovação Canábica (Cedican), com cultivo de cannabis para aplicação em pesquisa na área de medicina veterinária. A UFSC foi a primeira instituição de ensino superior do País a obter uma medida judicial permitindo a produção de todos os insumos para a pesquisa da aplicação da cannabis na área veterinária.
O professor e pesquisador do Centro de Ciências Rurais (Campus de Curitibanos), Erik Amazonas é quem tem o savo-conduto para liderar a produção de extratos de Cannabis a partir de plantas cultivadas em laboratório. Ele coordena a linha de pesquisa “Endocanabinologia e Cannabis Medicinal”, do Grupo de Estudos em Produção Animal e Saúde, que busca “traçar o perfil terpenofenólico de diferentes linhagens de Cannabis spp a fim de categorizar as diferentes linhagens quanto ao seu real conteúdo de canabinoides e terpenos”. A pesquisa também objetiva reunir conhecimento sobre os óleos derivados de diferentes linhagens e comparar métodos de extração de compostos.

Cerimônia de inauguração da primeira usina de hidrogênio verde do Estado Foto: Mateus Mendonça/Agecom/UFSC
Em agosto de 2023, a UFSC inaugurou a primeira usina de hidrogênio verde de Santa Catarina. O prédio, localizado na área do Laboratório Fotovoltaica no Sapiens Parque, em Florianópolis, é considerado um modelo: a instalação gera toda a energia necessária e capta toda a água da chuva que é preciso para a produção do hidrogênio verde. A obra é resultado de um projeto de R$ 14 milhões, que uniu o Brasil e a Alemanha em um trabalho de cooperação científica e tecnológica.
O pioneirismo credenciou a Universidade para iniciar parceria com o Governo do Estado e inaugurar, em 2025, o Laboratório Multiusuário para Estudo de Hidrogênio Verde. A instalação, localizada no Centro Tecnológico (CTC), pesquisa todo ciclo de utilização do hidrogênio, desde a geração a partir de fontes renováveis até o armazenamento e uso em redes energéticas. A infraestrutura visa promover a interação entre grupos de pesquisa da UFSC, possibilitando projetos de alta complexidade e impacto para o setor energético.
Luta contra o racismo e equidade na prática
Em 2023 foi aprovada pela Unesco a criação da Cátedra Antonieta de Barros, prevista na Resolução Normativa nº 175/2022/CUn, que estabelece a política de enfrentamento ao racismo institucional na UFSC. Um dos objetivos da cátedra, elencados no projeto apresentado à Unesco, é justamente o de “analisar o impacto do racismo na universidade e contribuir na formulação e implementação de políticas curriculares multidisciplinares para inclusão da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena na formação de profissionais das diferentes áreas”.
Primeiro docente indígena concursado

Posse primeiro professor indígena, João Rivelino Foto: Mateus Mendonça
Provando que política de ações afirmativas se faz na prática, pela primeira vez, a UFSC abriu concurso público para candidatos exclusivamente indígenas, para atuação no Departamento de Antropologia, Campus de Florianópolis. O docente João Rivelino Rezende Barreto tomou posse posteriormente, como o primeiro professor aprovado em um concurso público exclusivo para candidatos indígenas na Universidade. Ele é o segundo professor indígena da UFSC. A primeira é a professora Adriana Kaingang, do Departamento de História, que ingressou na Universidade por meio de um processo seletivo de ampla concorrência.
O concurso específico para candidatos indígenas foi uma iniciativa dos departamentos de Antropologia e de História da UFSC, formalizada pela Portaria Normativa Nº 477/2023, publicada em maio de 2023. A medida, apoiada pela Resolução Normativa Nº 175/2022/CUn, busca promover a inclusão de candidatos negros, quilombolas e indígenas.
Reconhecimento à diversidade
Campanha contra a transfobia realizada pela UFSC
Em agosto de 2023 a UFSC aprova sua política de acesso, inclusão e permanência para pessoas trans, travestis e não binárias. A política abrange do ensino básico à pós-graduação, garante reservas de vagas na graduação, na pós e em concursos públicos, bem como acesso prioritário a editais de assistência estudantil. Contempla, ainda, o combate à transfobia, campanhas, programas e ações educativas e adequações de infraestrutura. Apesar de outras universidades brasileiras já terem políticas de acesso a pessoas trans, nenhuma tem a mesma abrangência da política aprovada na UFSC.
Com investimento de mais de R$ 17 milhões, a UFSC inicia obras para implantação do Centro de Pesquisas Ambientais e Agroveterinárias de Curitibanos, reforma o Centro de Ciências da Educação (CED), inicia melhorias do Restaurante Universitário e a construção do alojamento estudantil indígena. Também houve investimento no Colégio de Aplicação e na infraestrutura da tecnologia da informação. Além das obras de maior porte, os serviços de manutenção e reparo também receberam atenção da Administração Central, que elaborou um plano emergencial de manutenção, com 126 prioridades.
Araranguá tem primeiro doutorado fora de Florianópolis
Em 2023 o campus de Araranguá também expande fronteiras, criando o primeiro doutorado da UFSC fora de Florianópolis, o Programa de Pós-Graduação em Energia e Sustentabilidade (PPGES). O programa, que já oferta o curso de mestrado na cidade, teve aprovação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) – fundação ligada ao Ministério da Educação – para abrir vagas também para o doutorado. A autorização foi concedida em outubro de 2023. O PPGES possui conceito 4 na avaliação da Capes – nota atribuída a programas que oferecem apenas mestrado e são considerados bons. O conceito máximo é 5 ou muito bom.
2024
Alojamento estudantil indígena

Alojamento recebeu investimento de R$ 1,58 milhão. Foto: Luís Carlos Ferrari/Secom/UFSC
Em 2024, após anos de espera, a UFSC inaugura o alojamento estudantil indígena, fruto de uma luta que iniciou ainda na gestão do reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, avançou na gestão do professor Ubaldo Balthazar e foi acolhida na gestão do professor Irineu Manoel de Souza. A Universidade investiu pouco mais de R$ 1,58 milhão para a reforma e adaptação da edificação e compra de mobiliários para o alojamento, que é dotado de quartos coletivos, quartos familiares, salas de estudo, local para convivência, cozinha e banheiros.
Outro momento marcante para a diversidade aconteceu na solenidade de formatura de Serviço Social: pela primeira vez na história uma formanda da UFSC usou bata branca. A formanda de Serviço Social Cynthia Luiza Ribeiro do Amaral foi a primeira pessoa a colar grau na instituição com uma beca branca, desenvolvida para ela em respeito à diversidade religiosa e ao seu processo de formação espiritual no candomblé.
Formatura da primeira turma de medicina
O campus da UFSC em Araranguá viveu um momento histórico na formatura de sua primeira turma de medicina em 2024. Na noite de 19 de julho, 46 estudantes da Universidade tornaram-se profissionais da saúde, por um curso criado junto ao projeto de expansão das faculdades de Medicina proposto pelo Mais Médicos. De toda a turma, 25 ingressaram na Universidade por políticas de Ações Afirmativas. Todos fizeram história na sexta-feira como os primeiros a colar grau no curso de Medicina da UFSC Araranguá. Por isso, vários discursos – quer dos estudantes quer dos professores – chamaram a turma por seu apelido “Pioneira”, ainda que exista um nome oficial. A turma foi batizada em homenagem a uma estudante que não teve a chance de se formar. Priscila Carniel faleceu em 2022, aos 28 anos, quando cursava a 7ª fase de Medicina em Araranguá. Foi vítimas de uma cardiopatia. A emoção deu o tom nesse dia histórico.

Advogada e professora Deise Helena Krantz Lora entrega documentação ao reitor Irineu. Foto: Salvador Gomes/Agecom/UFSC
Após quase 10 anos de pesquisa e análise documental a UFSC recebeu oficialmente, das mãos da OAB/SC, uma série de documentos sobre a ditadura no estado. A entrega foi formalizada no evento pelo Dia da Memória e Defesa da Democracia, promovido pelo Conselho Universitário. Realizada no dia 5 de abril de 2024, a solenidade lotou o Auditório da Reitoria, em Florianópolis.
Foram vários os testemunhos contra a truculência da ditadura e em favor dos direitos humanos e da democracia. Os papéis foram reunidos pela Comissão Estadual da Verdade Paulo Stuart Wright, e agora integram o acervo do Instituto Memória e Direitos Humanos (IMDH/UFSC).
Inovando no ensino, a UFSC implementa a modalidade pioneira de estágio de pós-mestrado, que esteve em caráter experimental até 2023. A Universidade é a primeira a ter categoria específica nesse nível, já que o registro comumente utilizado aos pós-graduados é o de pesquisador colaborador.
Acompanhando as reivindicações que mobilizaram 62 universidades federais na luta pela recomposição do orçamento e melhores condições de trabalho em 2024, os servidores da UFSC pararam suas atividades por 117 dias. Os docentes se uniram ao movimento, paralisando as atividades por 40 dias. por melhorias salariais e manutenção da carga horária dos docentes da educação básica, técnica e tecnológica, os professores da UFSC entraram em greve por 40 dias. Os estudantes apoiaram a mobilização.
2025

Protesto marcou a sessão no Conselho Universitário Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC
Alteração do nome do Campus da Trindade
Em decisão coletiva e histórica, após parecer da Comissão da Memória e Verdade, a UFSC decide revogar em junho de 2025 a homenagem ao ex-reitor João David Ferreira Lima, retirando seu nome do Campus Trindade, em Florianópolis. O parecer apontou que o ex-reitor teve sua trajetória associada a situações que configuraram graves ameaças aos direitos humanos durante o regime militar brasileiro (1964-1985). O anúncio do resultado final da votação do Conselho Universitário se mesclou ao som das manifestações e aplausos dos participantes da sessão especial, que ao concluir este processo, comemoraram e se emocionaram com a decisão.
Igualdade racial no quadro docente
Este ano, o Conselho Universitário também aprovou medidas para corrigir uma distorção histórica: a desigualdade racial no quadro docente da UFSC. Com esse intuito, foram aprovadas alterações nas normas de ingresso de docentes, com ampliação de vagas de ações afirmativas para pessoas negras, indígenas e quilombolas. A reserva, nessa categoria, era de 20% e passa a ser de 30%. As pessoas trans também passam a ser contempladas, com cota de 1%.
Ampliação das políticas de ações afirmativas
Em 2025 o Conselho Universitário também atualizou a Política de Ações Afirmativas para acesso aos curso de graduação da UFSC, colocando em pauta os estudantes indígenas e quilombolas. Também houve aprimoramento das políticas em favor da permanência estudantil. As bolsas nessa modalidade, concedidas pela Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE) UFSC, passaram a ter ações afirmativas. Até 2024, as bolsas eram concedidas seguindo critérios de renda familiar per capita, mas passaram a ser distribuídas seguindo o critério principal de renda, e, dentro desse recorte, passa a haver também a reserva de uma porcentagem das bolsas para estudantes pretos ou pardos, pessoas com deficiência, pessoas trans e estudantes mães.
Primeira turma de medicina de Curitibanos
Autorizado pelo Ministério da Educação em 2023, o curso de medicina da UFSC Curitibanos recebe sua primeira turma em 2025. A aula inaugural aconteceu no dia 12 de março de 2025. O evento marcou o início das atividades acadêmicas da primeira turma do curso, consolidando um importante avanço para a interiorização do ensino superior e a formação de profissionais da saúde no estado. A solenidade contou com a presença de autoridades universitárias, docentes, estudantes e representantes da comunidade local.
Pioneira nacional na aquicultura

A técnica de laboratório Claudia Machado exibe o ouriço-do-mar Foto: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC
Pela primeira vez no Brasil, pesquisadores conseguiram produzir em laboratório juvenis do ouriço-do-mar Echinometra lucunter, com objetivo voltado à aquicultura para consumo humano. A pesquisa, ralizada na UFSC, é um passo decisivo para a criação de uma nova cadeia produtiva na maricultura nacional. Além do uso gastronômico, as gônadas de ouriço-do-mar também despertam interesse das indústrias cosmética, nutracêutica e farmacêutica, graças aos compostos bioativos presentes em sua composição. Isso amplia as oportunidades econômicas da espécie e reforça sua viabilidade como recurso multifuncional.
A espécie Echinometra lucunter, amplamente encontrada no litoral brasileiro, foi escolhida por suas características ideais para o cultivo sustentável: crescimento rápido, alta taxa reprodutiva, resiliência ao manejo em cativeiro e gônadas bem desenvolvidas — parte comestível valorizada na gastronomia e conhecida como “uni”.
De acordo com pesquisadores do Laboratório de Moluscos Marinhos da UFSC (LMM/UFSC), responsável pela pesquisa, o domínio completo do ciclo de vida desse tipo de ouriço representa uma alternativa concreta à extração predatória e uma base sólida para sua produção sustentável. Países como Japão, Chile e Itália já exploram comercialmente ouriços-do-mar há décadas, enquanto o Brasil ainda não dispunha de um projeto técnico-científico voltado à produção em escala comercial. Com o avanço promovido pela UFSC, o país poderá atender o mercado interno e futuramente os mercados internacionais de alto padrão.
Criação do curso de Ciência de Dados
Em setembro de 2025 a UFSC lançou o novo curso de graduação em Ciência de Dados, com ênfase em Inteligência Artificial. A partir de 2026, serão ofertadas 40 vagas por ano, em período integral, nos turnos vespertino e noturno, em Florianópolis. O curso é uma parceria entre o Departamento de Ciência da Informação (CIN) e o Departamento de Engenharia e Gestão do Conhecimento (dEGC). Os formandos terão o título de Tecnólogo em Ciência de Dados.
O curso terá duração de cinco semestres, totalizando 2.100 horas de carga horária. O objetivo é formar profissionais aptos a projetar, desenvolver e implementar soluções baseadas em dados e inteligência artificial em diferentes contextos sociais e produtivos. Entre as competências do currículo estão o desenvolvimento de fundamentos matemáticos, estatísticos e computacionais; a modelagem e mineração de dados; o processamento de linguagem natural; a criação de modelos de aprendizado de máquina e de redes neurais; a gestão de bancos de dados; a visualização e comunicação de resultados de forma clara, e a privacidade e proteção de dados.

A nova sede do Campus de Blumenau Foto: Felipe Capeletto
A UFSC Blumenau iniciou no dia 6 de outubro de 2025 as atividades teóricas em sua nova sede (Rua Engenheiro Udo Deeke, 485, no bairro Salto do Norte). A mudança, aprovada pelo Conselho de Unidade em 17 de julho de 2025, marca o fim de 11 anos e meio de funcionamento em ambientes alugados e adaptados, que originalmente não foram construídos para fins educacionais. A nova estrutura foi planejada especificamente para atender às necessidades acadêmicas do campus.
Foram instaladas 19 salas de aula, superando as 17 da sede antiga, além de 13 laboratórios já transferidos, que se somam aos dois que já funcionavam no novo prédio desde o início do ano. A mudança não se limitou aos espaços de ensino: a nova sede abriga também a Biblioteca Setorial, a Secretaria Acadêmica, as Secretarias dos Colegiados de Cursos e Departamentos, a Secretaria de Pós-Graduação, o Núcleo de Assistência Estudantil, o Núcleo Pedagógico e o Restaurante Universitário.
Combate ao assédio e à discriminação
Em novembro de 2025, o Conselho Universitário aprovou por unanimidade a política de combate ao assédio e à discriminação na UFSC. A política organiza-se em torno de princípios como dignidade da pessoa humana, ambiente institucional seguro, sigilo e tratamento humanizado às vítimas, proteção à diversidade e grupos vulnerabilizados.
O enfrentamento ao assédio e à discriminação na UFSC será estruturado em três frentes: acolhimento e acompanhamento biopsicossocial; ações administrativas e práticas restaurativas; e tratamento formal das denúncias. A rede deve incluir setores como Prodegesp, Proafe, PRAE, Prograd, Ouvidoria, Comissão de Ética, NDI e CA, além da futura Comissão Intersetorial Permanente de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação.
Na comemoração de seus 65 anos, a Universidade entrega, pela primeira vez, homenagens a quatro técnicos-administrativos em Educação (TAEs) referências em suas áreas de atuação, que receberão o título de TAE Emérito(a). Os homenageados são Ângela Olinda Dalri, Helena Olinda Dalri, José de Assis Filho (in memoriam) e Raquel Jorge Moysés. Conheça a trajetória dos servidores.





